Tribo
Meu nome é Kauã. Nasci numa era em que humanos não deveriam existir — uma terra dominada por criaturas primitivas e predadores colossais.
Cresci em uma tribo que vive sob o território de Orotí, uma serpente albina de cinquenta metros, venerada como nossa guardiã. Para ela, somos insignificantes como formigas.
Aos 17 anos, perdi meus pais quando foram mortos por ela. Desde então, fui marcado como pecador. Isolado. Rejeitado.
Segundo o xamã, devo viver próximo à caverna da serpente para pagar pelo “pecado” deles. Não posso caçar, não posso comer carne — até o ritual de despertar, quando cada jovem consome a carne de um animal para herdar suas características e poderes.
Mas meu ritual está próximo… e eu não tenho esperança.
O que me mantém vivo é a raiva.
Raiva da tribo.
Ódio da guardiã.
Sonho em matar Orotí.
Se descobrissem meus pensamentos, eu seria condenado por blasfêmia. Mas a cada dia que passa, enxergo com mais clareza: as regras que nos governam são frágeis, cegas… e feitas para manter o medo.
E eu já não tenho mais medo.