Nascimento das Estrelas
No princípio não havia silêncio.
Havia o som de estrelas nascendo.
Ele se lembrava — ou achava que se lembrava — de ter sido o próprio vazio que se partiu. Um estalo sem som, uma luz sem cor. Ele criou as primeiras chamas, deu nome aos primeiros átomos, observou galáxias se entrelaçarem como fios de um tear infinito.
Criou. Destruiu. Observou novamente.
Milhões de anos se passaram como respirações.
E então, pela primeira vez, ele se cansou.
Não era tédio. Era uma tristeza antiga, profunda, sem nome.
Ele viu civilizações inteiras nascerem e morrerem em um piscar de olhos cósmico. Viu seres frágeis se unirem, rirem, chorarem, se abraçarem — mesmo sabendo que tudo acabaria. E por algum motivo inexplicável, eles pareciam... felizes.
Ele, que nunca conhecera nada além da solidão absoluta, sentiu curiosidade.
Então ele fez a única coisa que um ser como ele podia fazer:
renunciou.
Abandonou o tabuleiro.
Lançou os dados pela última vez.
E renasceu.
Em um hospital de Houston, Texas, no dia 12 de março de 2017, um bebê chorou pela primeira vez.
Seu nome era Nard Anastasi.
E as estrelas, pela primeira vez em bilhões de anos, ficaram em silêncio...