Meu Mafioso Querido
Eu fiquei sentada na beira da cama por um longo tempo, com as mãos tremendo e o peito apertado, como se o ar tivesse ficado pesado demais para entrar. As lágrimas caíam sem que eu conseguisse controlar. Não era só tristeza… era desespero.
Minha cabeça repetia tudo o que Giovanni havia dito como um eco cruel.
Sequestrada.
Adotada.
Família rival.
MÁFIA.
Era impossível.
Era absurdo.
E, ainda assim… eu sentia no fundo do meu peito que aquilo fazia sentido. Como se alguma parte esquecida de mim sempre soubesse que algo estava errado, mas tivesse aprendido a ignorar.
Eu limpei o rosto com as mãos e tentei respirar fundo, mas meu corpo inteiro tremia.
Levantei devagar e caminhei até a janela. A mansão era ainda mais assustadora vista de cima. O jardim parecia perfeito demais, as flores alinhadas como se fossem controladas. Tudo ali parecia planejado, calculado… como se não houvesse espaço para erro.
Como se não houvesse espaço para mim.
Eu encostei a testa no vidro frio.
— Evellyn Marino… — sussurrei, quase sem voz.
Eu odiava aquele nome.
Não porque era feio… mas porque ele carregava uma verdade que eu não pedi para descobrir.
Fechei os olhos com força.
Foi quando ouvi batidas leves na porta.
Meu coração disparou.
— Eve? — a voz de Giovanni surgiu do outro lado. — Posso entrar?
Eu fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando decidir se eu queria mesmo ver ele de novo. Mas, no fim, eu sabia que fugir não ia mudar nada.
— Pode…
A porta se abriu lentamente.
Giovanni entrou com cuidado, como se estivesse entrando num quarto onde alguém estava prestes a quebrar. Ele tinha uma expressão séria, mas os olhos dele… estavam diferentes.
Mais suaves.
Ele carregava uma bandeja com uma xícara de chá e um copo de água.
— Você precisa beber alguma coisa. Vai acabar passando mal.
Eu não respondi. Apenas observei ele colocar a bandeja sobre a mesinha.
— Eu não quero chá — murmurei.
— Então bebe água.
Eu revirei os olhos, mas peguei o copo mesmo assim. Minha mão tremia tanto que eu quase derrubei.
Giovanni sentou na poltrona perto da cama, sem se aproximar demais.
— Você acredita em mim? — ele perguntou de repente.
Eu soltei uma risada sem humor.
— Eu não sei no que acreditar. — minha voz falhou. — Eu nem sei mais quem eu sou.
Giovanni ficou em silêncio por um instante.
— Eu sei que isso é cruel. Eu sei que te jogar essa verdade assim foi pesado demais… mas eu não tive escolha.
— Não teve escolha? — eu levantei o olhar pra ele, sentindo raiva crescer junto com o medo. — Você sempre fala isso como se fosse vítima também.
Ele apertou a mandíbula.
— Eu sou.
As palavras dele me fizeram estremecer.
— Como assim?
Giovanni se levantou e caminhou até a janela, ficando ao meu lado, mas sem tocar em mim. Ele olhou o jardim lá embaixo e respirou fundo.
— Você acha que eu queria que você descobrisse assim? Que eu queria ver você chorando desse jeito?
Ele virou o rosto para mim.
— Eu esperei um ano.
Meu coração parou por um segundo.
— Um ano…?
— Sim. — ele respondeu. — Eu sabia onde você estava. Eu sabia quem você era.
Meu corpo ficou gelado.
— Então por que você não fez nada antes?
Giovanni deu um sorriso pequeno, triste.
— Porque eu precisava ter certeza de que você estava segura. E porque… eu não queria te assustar.
— Mas você me assustou mesmo assim.
— Eu sei.
O silêncio caiu de novo.
Eu segurei o copo com força.
— Giovanni… — minha voz saiu mais baixa. — Você disse que meu irmão está preso.
Giovanni ficou sério.
— Sim.
— Preso onde?
Ele demorou um pouco para responder.
— Na Itália.
Meu estômago revirou.
— E por que eu não posso simplesmente… ir embora? Ir pra polícia?
Giovanni soltou uma risada curta, mas não era divertida.
— Eve… polícia e máfia não são coisas tão separadas assim.
Eu senti meu sangue gelar.
— Então eu tô presa aqui?
Ele se aproximou um pouco mais, mas ainda manteve distância.
— Não. Você não está presa. — ele falou com firmeza. — Você está protegida.
Eu apertei os olhos.
— Protegida de quem?