Ah, cidade de Orario...
A cidade que floresceu por causa da Guilda, como dizia o livro. Orario, um lugar de grandiosidade e diversidade, onde uma infinidade de raças coexistia. Humanos, anões, elfos, pessoas bestiais, hobbits a variedade era quase tão vasta quanto as lendas da Dungeon que ecoavam pelas ruas.
Eu, no entanto, tinha poucas oportunidades de explorar a cidade profundamente.
Embora os livros falem de mercenários e aventureiros, ainda não compreendi completamente se há realmente uma diferença entre os dois.
Cresci fora de Orario, em uma terra que não era exatamente distante, mas também não poderia ser chamada de próxima.
Fui criado pelo meu tio , um homem estranho, sobre quem nunca soube muito. Ele me ensinou muitas coisas, o suficiente para que eu suspeitasse que ele fosse uma espécie de caçador de monstros fora de Orario.
No entanto, ele nunca me treinou para a Dungeon; seu foco era a sobrevivência na superficie. A esse homem misterioso, sou eternamente grato. Sem suas lições, provavelmente já teria partido deste mundo há muito tempo.
Eu vim para Orario não por causa de Bell Cranel, o verdadeiro protagonista da historia. Meu caminho foi moldado por um encontro meses atrás, que mudou completamente minha visão e meus objetivos. Ainda assim, não posso negar que agora tenho uma curiosidade incontrolável de ver, com meus próprios olhos, o desenrolar da história que ouvi falar.
Será que as coisas seguirão o curso que foram escritas, ou será que terei que intervir de alguma forma? Essa é uma questão que ainda paira sobre mim.
Por enquanto, meu plano é simples: manter-me quieto, evitar atrair atenções indesejadas, especialmente de algum deus ou deusa. E, se isso acontecer, bem... deixarei para o "eu" daquele momento decidir o que fazer.
Enquanto andava pelas ruas superlotadas de Orario, observei as pessoas ao meu redor , figuras diversas, cada uma com suas histórias e origens. Humanos comuns, bestiais com suas orelhas e caudas, anões robustos, elfos graciosos e até mesmo alguns hobbits passando despercebidos na multidão. Para alguém que vem de outro mundo, atravessar multidões já era uma rotina, mas ainda assim, eu não podia deixar de admirar algumas atenções no meio do caminho.
De vez em quando, uma rara beleza cruzava meu caminho, fazendo-me parar por um breve momento antes de voltar ao meu foco.
— Caramba, será que todas as mulheres são bonitas assim por aqui? , murmurei para mim mesmo, sorrindo enquanto seguia meu caminho.
Mas, é claro, naquele momento meu destino era minha casa. Meu tio não deixou muitas coisas para mim, mas o essencial estava lá. Ele me preparou bem, de certa forma.
Sou grato a ele, mesmo que quase tenha me matado com o treinamento.
Levantei a cabeça e observei a pequena casa à minha frente. Era realmente modesta — dois andares e um porão, simples, mas funcional. A cozinha ocupava a maior parte do primeiro andar, enquanto o segundo era reservado ao quarto. No porão, estavam guardadas as poucas coisas que meu tio havia deixado para trás.
Embora soubesse que não havia ninguém esperando por mim em casa, não pude deixar de olhar ao redor e dizer, com um toque de humor, Boa noite, estou entrando.
Pelo menos, ninguém parecia estar lá no momento.
— Você quase morreu dessa vez...
Uma voz delicada e etérea sussurrou, embora, se você procurasse, não a encontraria fisicamente na casa. A voz vinha de dentro de mim.
— Olá, Eirina. Sinto muito por te decepcionar desta vez.
Foi então que uma pequena luz apareceu na casa, do tamanho de uma maçã. Dentro daquela luz, havia uma pequena figura — Eirina, o espírito que me acompanhava. Apesar de ser um espírito, Eirina tinha suas limitações.
— Eu ouvi isso!!! — a pessoinha exclamou, visivelmente irritada. Uma das razões para isso era o contrato que havíamos feito, que incluía certas condições...
Mas, no final das contas, era melhor do que morrer em uma caverna solitária.
Eirina estava com os braços cruzados e uma expressão de leve raiva no rosto a razão disso era obvia.
— Você quase morreu. Se eu não tivesse estancado seus ferimentos, teria sangrado até a morte.
Claro, eu não contei a Eina toda a verdade sobre o que aconteceu com os kobolds. Um deles me mordeu o braço, quase arrancando-o fora. Meu contrato com Eirina era semelhante a uma falna — eu me recuperava mais rápido do que uma pessoa normal, mas não tinha muito mais a oferecer. A minha casca não suportava ser usada como meio para os poderes dos espíritos.
Assim, a solução foi que Eirina ficasse dentro de mim, protegendo-me de dentro para fora dessa forma estaríamos conectados, se não fosse por isso eu provavelmente terminaria como o Argonalta...
— Está tudo bem Eirina. Além disso, preciso trabalhar na Dungeon. É o único jeito de ganhar dinheiro aqui que realmente vale a pena.
Embora Eirina soubesse quem eu era, não sabia exatamente o que eu era, o que às vezes causava conflitos entre nós de opinião. Mas, por enquanto, tudo estava indo bem. Levaria alguns dias até que Bell aparecesse por aqui. De vez em quando, eu até mesmo via Hestia vagando pela cidade.
Mas, no fim, tudo se encaixará eventualmente.
Acho que estou um pouco cansado de ficar correndo o dia inteiro, mas não era de tão mão consegui quase 100 mil valis com os orcs.
Fui então para o meu quarto no segundo andar. As escadas, de madeira velha, rangiam e faziam barulhos que poderiam facilmente ser confundidos com um som assombrado.
"Acho que precisso trocar a madeira dessas escadas."
Quando cheguei ao quarto, comecei a remover as bandagens. Lentamente, a grande ferida no meu braço começou a se fechar, e o osso quebrado já estava se unindo. Provavelmente, até o amanhecer, a ferida teria desaparecido por completo.
— Obrigado, Eirina. Você é realmente confiável.
— É bom que saiba. — Sua voz ressoou em minha mente, fazendo-me sorrir.
Então, fui até o guarda-roupa. A maioria das roupas não servia em mim, então peguei algumas peças que se encaixavam bem
Uma camisa simples preta e calças da mesma cor.As roupas que estavam aqui provavelmente eram do meu tio , mas havia outras um pouco menores, do tipo que serviriam bem em mim.
Olhei para o espelho pequeno do armário, que revelou meu cabelo curto e escuro, e meus olhos azuis.
Eu não podia ser chamado de bonito, tinha uma aparência media, do tipo que passaria despercebido na multidão.
Meus olhos eram azuis mas se você reparasse bem veria um pouco de verde neles.
-Bem hoje foi um bom dia...
Depois de me sentar na cama e me revirar sem conseguir dormir, passei grande parte da noite pensando eu tinha muitas duvidas do que fazer agora, o eu desse mundo já tinha 17 anos... e eu estava me perguntando a mesma coisa que me perguntava na outra vida.
Oque eu vou fazer da minha vida...
Finalmente, como se tivesse encontrado a solução para algo, consegui adormecer.