shipsh
From now on, this story will only be available for Royal Road. To view the story, remember to look for the same name on Royal Road.
Quando a Luz Caiu
O mundo não acabou no dia em que a luz cruzou o céu.
Ele começou.
HĂĄ duzentos e quarenta anos, uma massa azul-branca rasgou a atmosfera terrestre como um segundo sol em queda.
Testemunhas relataram que o cĂ©u se abriu em silĂȘncio antes do impacto â nenhum trovĂŁo, nenhum aviso, apenas um brilho intenso que transformou a noite em dia por breves segundos.
O objeto tinha aproximadamente quarenta e cinco metros de diĂąmetro.
Quando tocou o solo, nĂŁo foi apenas a terra que tremeu.
Algo invisĂvel se espalhou pelo planeta.
Nos anos seguintes, crianças começaram a nascer diferentes. Algumas dobravam metal com as mãos. Outras alteravam a gravidade ao redor do próprio corpo. Houve quem incendiasse o ar sem fósforo, quem manipulasse eletricidade como extensão dos dedos, quem tocasse conceitos que ninguém sabia explicar.
E entĂŁo veio o medo.
Uma dĂ©cada depois do Evento da Luz, o mundo entrou em guerra. NĂŁo uma, mas nove. Conflitos globais sucessivos, cada um mais devastador que o anterior. PaĂses foram apagados do mapa. O clima mudou. Oceanos avançaram. Ecossistemas colapsaram.
A humanidade descobriu que o verdadeiro impacto do meteoro nĂŁo foi o choque contra o solo â foi o despertar do poder.
O Elemento
Os cientistas o chamaram de Quenz.
Um elemento desconhecido, presente nas cĂ©lulas dos indivĂduos alterados. Ele alimentava as habilidades extraordinĂĄrias, funcionando como uma fonte biolĂłgica de energia. Sem ele, os poderes nĂŁo existiam.
Mas havia um problema.
O Quenz era letal para humanos comuns.
Exposição direta resultava em envenenamento ou morte por radiação celular. Hospitais precisaram ser separados. Protocolos foram criados. A sociedade se dividiu lentamente entre aqueles que possuĂam Quenz no sangue e aqueles que nĂŁo possuĂam.
Hoje, cerca de vinte por cento da humanidade manifesta algum tipo de habilidade. Entre os demais seres vivos, o nĂșmero chega a quarenta por cento.
Poder tornou-se algo comum.
E, ao mesmo tempo, perigoso demais.
A Organização
Centenas de milhĂ”es morreram nas Guerras Mundiais que se seguiram ao Evento. Ao final da primeira dĂ©cada de destruição, vinte e nove paĂses assinaram um acordo histĂłrico.
Nascia a SHIPSH.
Uma organização internacional independente, criada para regular, monitorar e, se necessĂĄrio, conter indivĂduos superpoderosos. Seu objetivo declarado era simples: impedir que o mundo se autodestruĂsse novamente.
Ela deveria ser neutra.
Livre de influĂȘncia polĂtica.
Acima das naçÔes.
Mas o poder raramente Ă© neutro.
Oito grandes potĂȘncias â as mais ricas, armadas e influentes â assumiram o controle indireto da estrutura da organização. Embora a SHIPSH se declare independente, suas decisĂ”es frequentemente refletem interesses estratĂ©gicos.
Ainda assim, ela Ă© a Ășnica barreira entre ordem e colapso.
A SHIPSH classifica indivĂduos de acordo com o nĂvel de ameaça: de Classe C atĂ© Classe Alfa. Alguns poucos, considerados acima de Alfa, nĂŁo devem ser capturados â devem ser eliminados.
Porque hĂĄ poderes que nĂŁo podem ser contidos.
Os Tipos
Com o tempo, os super seres foram divididos em nove grandes grupos.
HĂĄ os Mega Seres, fisicamente superiores Ă prĂłpria natureza.
Os Meta-FĂsicos, que manipulam gravidade, eletricidade e atĂ© dimensĂ”es.
Os Conceituais, capazes de tocar ideias invisĂveis como sonhos, sensaçÔes ou habilidades.
Os Especialistas, quase invencĂveis em condiçÔes especĂficas.
Os Transportadores, imprevisĂveis e mutĂĄveis.
Os Fora de Lista, anomalias ainda nĂŁo compreendidas.
E, por fim, os rarĂssimos de Classificação Especial â um em cada bilhĂŁo â capazes de alterar a prĂłpria estrutura da vida ou da existĂȘncia.
Nem todos sobrevivem aos prĂłprios dons.
Alguns poderes consomem energia.
Outros consomem vida.
A taxa de mortalidade entre os manifestantes sem tratamento adequado ultrapassa sessenta por cento.
O poder Ă© uma dĂĄdiva.
E uma sentenç