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Capitulo 33 - A Magia que Reage

Na manhã seguinte, Dante acordou sentindo-se incomumente revigorado. O peso das últimas noites de estudo e da prática intensa de runas havia desaparecido, substituído por uma leveza que ele não sentia há muito tempo. Seus olhos, normalmente frios e calculistas, brilharam com uma rara satisfação enquanto ele se lembrava do sucesso que havia alcançado. Não apenas recriara uma runa complexa, mas também desenvolvera uma contra-runa capaz de anular seu efeito. Ele deu um pequeno sorriso, algo que parecia há muito esquecido em sua alma, quase estranho ao seu próprio rosto.

Porém, aquela felicidade efêmera não durou. Assim que permitiu-se sentir a alegria de sua conquista, as memórias sombrias de seu passado começaram a se infiltrar em sua mente, como veneno espalhando-se pelas veias. O sorriso desapareceu e em sua mão a sua varinha apareceu como se estivesse sempre ali, logo então seu rosto substituído por um semblante duro e fechado. As imagens de sua mãe morta no chão, de seu pai jorrando sangue pelo pescoço, e das noites intermináveis em que apanhava dos homens que sua mãe trazia para casa, voltaram com força total. Ele se lembrava de ter sido apenas uma criança, desamparado, tendo que vender qualquer coisa nas ruas para sobreviver, pois sabia que, se voltasse de mãos vazias, o castigo seria ainda mais brutal.

Dante cerrou os punhos com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. O ódio que sentia pelas pessoas que o fizeram sofrer era profundo, um ódio que queimava em seu peito como um fogo inextinguível. Ele sentiu o ódio consumi-lo completamente, uma fúria cega que parecia ter vida própria, crescendo e se expandindo dentro dele.

E então, algo aconteceu.

Do lado de fora, a manhã em Hogwarts havia começado com a usual excitação. Era o Dia das Bruxas, e os alunos estavam especialmente animados, indo e saindo do Salão Principal em grupos barulhentos. O castelo estava decorado com as tradicionais abóboras esculpidas, esqueletos risonhos e velas flutuantes que lançavam uma luz suave e calorosa sobre as longas mesas de madeira. O clima de festa estava no ar, e os alunos e professores partilhavam dessa alegria coletiva.

De repente, o castelo começou a tremer. Não era um tremor leve, mas um abalo que fez o chão vibrar sob os pés de todos. Lá fora, o céu, antes claro e ensolarado, rapidamente escureceu quando nuvens negras surgiram do nada, espalhando-se como uma mancha de tinta no céu azul. Relâmpagos rasgaram o ar, seguidos de trovões ensurdecedores. O clima de festa foi instantaneamente substituído por uma sensação de pavor. Um calafrio percorreu todos no castelo, desde os alunos mais novos até os professores mais experientes.

Dentro do Salão Principal, o pânico começou a se espalhar. Alunos olharam ao redor, confusos e amedrontados, enquanto as decorações de Halloween, que antes pareciam festivas, agora assumiam uma tonalidade sinistra. As abóboras esculpidas pareciam distorcer-se em expressões grotescas, os esqueletos risonhos agora pareciam zombar do medo que tomava conta de todos.

O professor McGonagall foi a primeira a agir. Com um movimento firme de sua varinha, ela ordenou aos alunos que permanecessem calmos e aguardassem instruções. "Todos, fiquem onde estão! Não entrem em pânico!" Ela exclamou, mas suas palavras foram abafadas pelo rugido do trovão.

No escritório do diretor, Dumbledore estava em pé, olhando pela janela, observando as nuvens negras se aglomerarem no céu. Sua expressão estava séria, a testa franzida em preocupação. Ele sabia que o clima de Hogwarts não mudava tão drasticamente sem uma razão poderosa. Algo estava profundamente errado.

Os retratos dos antigos diretores, que adornavam as paredes do escritório, também haviam percebido a mudança. Seus olhos pintados estavam arregalados de medo e curiosidade.

"O que está acontecendo, Alvo?" Perguntou um dos retratos, sua voz carregada de desconfiança.

"Não tenho certeza," respondeu Dumbledore, a voz mais grave do que o habitual. "Mas sinto que estamos prestes a enfrentar algo fora do comum." Ele se virou para o Chapéu Seletor, que descansava em sua habitual estante, e perguntou: "Chapéu, você está conectado ao castelo de Hogwarts. Pode nos dizer o que está acontecendo?"

O chapéu permaneceu imóvel por um momento, como se estivesse processando a pergunta, antes de responder. "Medo e ódio," disse ele, sua voz mais baixa e séria do que o habitual. "O castelo reagiu a uma magia que eu pensei estar perdida no tempo. Não é possível... todos que conheciam essa magia estão mortos e não deixaram qualquer vestígio dela."

Dumbledore sentiu um calafrio percorrer sua espinha. "Que magia foi essa?" Ele perguntou, tentando manter a calma, mas a preocupação transparecia em sua voz.

"Uma magia muito antiga, uma magia que pensei estar extinta. Nem mesmo Merlim era capaz de tal feito," respondeu o chapéu. "É uma magia que se fortalece com os sentimentos do usuário. O castelo não reagiu por medo, mas por excitação, pois faz muito tempo que essa magia não era presenciada no mundo veja Alvo o castelo foi criado por esta mesma magia a muito tempo, não precisa temer."

"Excitação?" Dumbledore repetiu, surpreso. A ideia de que o castelo, uma estrutura que ele sempre considerou segura e sob controle, pudesse se excitar com algo tão perigoso era perturbadora.

"O mundo mágico está prestes a presenciar mudanças incríveis," disse o chapéu, com um tom quase profético, enquanto um sorriso se formava em sua aba.

Dumbledore respirou aliviado, mas sua preocupação não desapareceu. Quem quer que fosse o dono de tal poder, onde quer que estivesse, seria uma força a ser considerada. Ele sabia que o fim de sua era estava se aproximando. A era dele e de seu velho amigo, Grindelwald, estava terminando. Mas antes de partir, ele precisava corrigir um erro do passado, um erro trágico que o assombrava até hoje. Ele se perguntou se estava para nascer um novo Qilin, e decidiu que era hora de enviar uma carta ao seu antigo aluno e amigo, Newt Scamander.

De volta ao quarto da Sonserina, Dante estava imóvel, ainda em transe. Apenas alguns segundos haviam se passado, mas para ele, parecia uma eternidade. Ele não percebeu o tremor no castelo, nem as mudanças climáticas lá fora. Tudo em sua mente eram as cenas horríveis de seu passado. No auge do transe, o castelo parou de tremer, e o clima voltou ao normal, tão repentinamente quanto havia mudado.

Os olhos de Dante, vermelhos como sangue, brilhavam com uma energia desconhecida. Mas ele não percebeu nada disso. Quando o transe finalmente terminou, ele respirou fundo, sentindo a raiva esvair-se lentamente, como um veneno que deixava seu corpo.

Sentindo-se vazio, ele colocou seu semblante sem expressão no rosto e se dirigiu ao Salão Principal. Tinha uma aula com o professor Flitwick, que havia mencionado que a turma estava pronta para aprender o feitiço Leviosa. Flitwick, sabendo que Dante já dominava o feitiço, havia pedido que ele auxiliasse os colegas, algo que Dante concordou em fazer como uma forma de agradecer ao professor por permitir que ele estudasse outros assuntos durante a aula.

Agora, a cena no Salão Principal era um contraste gritante com o que Dante sentia. Enquanto todos riam e se preparavam para o Dia das Bruxas, Dante caminhava pelas grandes portas de madeira, sem se importar com as celebrações ao seu redor muito menos com os múrmuros dos alunos sobre o ocorrido a não muito tempo. Ele estava imerso em seus próprios pensamentos, nas memórias dolorosas que o consumiam.

Sentado à mesa da Sonserina, Dante não tocou na comida. O odor das iguarias do Dia das Bruxas, que normalmente faria qualquer estudante salivar, não o afetava. Ele observava a movimentação ao seu redor, mas não participava dela. Sua mente estava distante, ainda relembrando as tragédias de sua infância.

A manhã se arrastou, e quando a hora da aula de Feitiços chegou, Dante se levantou mecanicamente e se dirigiu à sala.

Enquanto caminhava pelos corredores em direção à sala de aula, uma estranha sensação de formigamento se espalhou por sua pele. Era como se uma corrente de energia percorresse seu corpo, provocando uma leve tensão em seus músculos. Ele franziu a testa, tentando ignorar o desconforto, e atribuiu a sensação ao cansaço acumulado dos últimos dias de estudo intenso. Mal sabia ele que aquela sensação era um resquício da energia sombria que havia emanado de dentro dele mais cedo, uma energia que havia deixado seus olhos levemente vermelhos, como uma marca invisível de sua raiva e dor.

Ao chegar à sala de Feitiços, o pequeno professor Flitwick, que sempre parecia estar de bom humor, o cumprimentou com um aceno de cabeça. Dante retribuiu com um movimento mecânico e silencioso, dirigindo-se ao seu assento habitual no fundo da sala.

"Bom dia, turma!" anunciou Flitwick, com a voz vibrante e cheia de entusiasmo. "Hoje, como prometido, vamos praticar o feitiço Vingardium Leviosa. Este feitiço é fundamental para todos os bruxos e bruxas, então quero que prestem bastante atenção!"

O professor, com um aceno de sua varinha, fez uma pena flutuar graciosamente no ar, arrancando exclamações de admiração dos alunos. Todos pareciam estar ansiosos para tentar o feitiço, e logo começaram a balbuciar as palavras mágicas, agitando suas varinhas com entusiasmo, mas sem muito sucesso.

Dante, no entanto, estava perdido em pensamentos. Sua mente vagava por memórias obscuras e incertezas, alheio à excitação ao seu redor. Ele estava fisicamente presente na sala, mas sua mente estava em outro lugar, revivendo fragmentos dolorosos de seu passado.

Flitwick, sempre atento aos seus alunos, notou a distração de Dante e decidiu intervir. Caminhou até a mesa do jovem com passos curtos e rápidos, observando-o com curiosidade e preocupação.

"Algum problema, Sr. Maximillian?" perguntou Flitwick, com sua voz gentil, tentando trazer Dante de volta ao presente.

Dante piscou, afastando as imagens perturbadoras que invadiam sua mente, e olhou para o professor com uma expressão vazia. "Nenhum problema, professor", respondeu, sua voz sem emoção. "Preciso executar o feitiço, certo? Muito bem, aqui vai... Wingardium Leviosa."

Com um movimento fluido de sua varinha, Dante pronunciou o feitiço, e imediatamente, a pena à sua frente começou a flutuar com uma elegância impressionante. A sala ficou em silêncio por um momento, enquanto todos os olhos se voltavam para Dante, observando o prodígio que ele acabara de realizar.

Dante era conhecido por sua genialidade, mesmo que ele nunca buscasse reconhecimento. Ele dominava as artes mágicas com uma facilidade que fazia muitos de seus colegas se sentirem inseguros em sua presença. Mesmo comparado a Hermione Granger, da Grifinória, famosa por sua sede insaciável de conhecimento, Dante parecia estar em um nível completamente diferente, como se os feitiços fossem uma extensão natural de sua vontade.

"Execução perfeita, como sempre, Sr. Maximillian!" exclamou Flitwick, claramente impressionado. "Alunos, observem como o Sr. Maximillian realizou o feitiço com perfeição. Continuem praticando, e lembrem-se, a prática leva à perfeição. Cinco pontos para a Sonserina!"

Flitwick, satisfeito, voltou sua atenção para o restante da turma, mas não sem antes fazer um pedido a Dante. "Sr. Maximillian, se não se importar, gostaria que ajudasse seus colegas com o feitiço. Sua habilidade seria de grande ajuda para todos."

Dante apenas assentiu, sem expressão, concordando em ajudar. Ele permaneceu em seu lugar, esperando que algum colega se aproximasse para pedir assistência. Contudo, ao observar ao redor, percebeu que seus colegas hesitavam em se aproximar. O medo ou a intimidação que sua presença causava era palpável. Havia uma distância invisível entre ele e os outros alunos, uma barreira que ninguém parecia querer atravessar.

Depois de um momento de silêncio tenso, uma aluna da Corvinal, de cabelos castanhos ondulados e olhos curiosos, finalmente tomou coragem e se aproximou de Dante. Ela hesitou, mordendo o lábio inferior antes de falar com uma voz tímida.

"Desculpe incomodar... Dante, poderia me ajudar com o feitiço?"

Dante olhou para ela, seus olhos ainda vazios, mas havia uma suavidade sutil em seu olhar que fez a garota relaxar um pouco. Ele não estava acostumado a interações como essa, mas algo na maneira como ela pediu o fez querer ajudar.

"Claro", respondeu ele, sua voz mais suave do que o habitual. Ele se levantou e caminhou até a mesa dela. "Vamos lá, mostre-me como você está fazendo o movimento da varinha."

A garota fez o movimento hesitante, claramente nervosa com a presença de Dante ao seu lado. Ele observou em silêncio por um momento antes de intervir, ajustando suavemente o ângulo da varinha dela.

"Não se apresse", aconselhou ele, seu tom firme, mas sem ser severo. "É mais sobre o controle do que sobre a força. Sinta a magia fluindo através de você, conecte-se a ela."

A aluna tentou novamente, e desta vez, a pena começou a se elevar, embora trêmula e hesitante. Um sorriso tímido surgiu em seu rosto, e ela olhou para Dante com gratidão.

"Consegui!"

Dante apenas acenou com a cabeça. "Continue praticando. Vai ficar mais fácil com o tempo."

Enquanto ele retornava ao seu lugar, a aula continuava em sua rotina. Quando a aula terminou, Dante se levantou lentamente, seu corpo ainda carregando o peso das emoções reprimidas. Enquanto os outros alunos começavam a deixar a sala, animados com o sucesso ou frustrados com o fracasso, ele permaneceu por um momento, contemplando a pena flutuante à sua frente.

Flitwick, notando que Dante ainda estava na sala, aproximou-se novamente, agora com um olhar de preocupação mais evidente.

"Você foi excelente hoje, Dante. Mas você parece... distante. Está tudo bem?"

Dante hesitou antes de responder. Ele poderia ter dito a verdade, poderia ter compartilhado as sombras que o assombravam, mas ele simplesmente balançou a cabeça. "Estou bem, professor. Só um pouco cansado, talvez."

Flitwick o estudou por um momento antes de assentir, não completamente convencido, mas disposto a dar ao garoto o benefício da dúvida. "Se precisar de algo, qualquer coisa, sabe onde me encontrar."

Dante apenas acenou com a cabeça, apreciando o gesto, mesmo que não tivesse intenção de recorrer ao professor. Ele então pegou seus pertences e saiu da sala, imerso em seus próprios pensamentos, a sensação de inquietação ainda o acompanhando.

Porém ele apenas reprimiu tudo aquilo dentro de sí e voltou a seu eu anterior voltou a sí, seus olhos que estavam levemente vermelhos voltaram a sua cor preta normal e então Dante resolveu ir no lago para continuar seu treinamento nos lançamentos de magia e extravasar um pouco da raiva que estava sentindo.

Quem jogou Hogwarts Legacy sabe oque eu to falando, mas vou com calma tá com aquela magia o MC vai aos poucos percebendo algo de errado com ele.

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