1 Prólogo - Mundo de singulares

Singulares, essa se tornou a palavra mais conhecida pela humanidade.

Um estranho fenômeno ocorreu inesperadamente no mundo. Ao redor de todo o planeta, pessoas com poderes especiais começaram a surgir aleatoriamente. Mesmo com pesquisas aprofundadas dos países, ninguém conseguia determinar o porquê isso acontecia. Só decidiram nomear quem possuía alguma habilidade sobrenatural como: Singular.

Os tipos de poderes que se podia encontrar eram dos mais variados, as opções eram infinitas. O começo desse fenômeno foi um caos, com pessoas de intenções ruins recebendo poderes que as ajudavam em roubos, matanças e controle de território. Nisso surgiram singulares dispostos a combater esses criminosos. Eram vistos como verdadeiros heróis.

Porém, não demorou para muitos perceberem que grande parte estava fazendo aqueles atos não para ajudar a sociedade, mas sim para benefício próprio, para ganharem mais fama e elevarem seu ego. Somando tudo então, intrigas políticas envolvendo disputa de poder, grupos extremistas de singulares e os falsos heróis começando a competir apenas para ver quem era o mais forte, o mundo foi sendo destruído a um ponto crítico.

Agora o mundo é controlado por facções de singulares e alguns humanos restantes espalhados pelo mundo, todos tentando viver da maneira que podem e evitando realizar conflitos grandes para não causar ainda mais chacinas que podem levar à humanidade a uma total extinção, já que os singulares poderosos sabem do que são capazes.

A facção mais poderosa conhecida é chamada de Heróis.

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- Mary... Fuja... – Uma voz masculina dizia para uma garotinha em sua frente, que estava assustada e lacrimejando. O local estava escuro e só havia destroços. A menina hesitava antes de realmente atender o desejo do rapaz. – Vai!

A pequena então se levanta e sai correndo na direção oposta ao homem no chão, ensanguentado. Isso o deixa aliviado e acaba relaxando, porém não dura muito esse momento, pois o rapaz logo é recebido com um tiro vindo por trás, bem na cabeça dele. E então acaba restando apenas um corpo sem vida.

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Ano de 20XX

Algum lugar da Europa.

Ruínas naquela cidade. Pelo caminho somente se viam destroços do que um dia foi uma civilização, prédios destruídos, pedaços de concreto pelo chão, e os principais indicativos de uma batalha entre singulares no local eram carros retorcidos e buracos ao redor perfeitamente esféricos. Uma figura aterrissa na rua desse cenário e olha em volta, carregando um pedaço de papel com alguns nomes e um endereço.

Enquanto andava pelas ruas, algumas pessoas surgiam nos destroços e a ficavam observando, como se temessem o que a figura poderia acabar fazendo. Estavam com medo principalmente de algo que carregava, uma katana numa bainha metálica maior que a convencional, sem contar os detalhes mecânicos nela. E ainda por cima, o objeto que guardava a espada possuía um gatilho perto da guarda dela. Isso era envolto na cintura por uma espécie de cabo metálico dobrável.

A pessoa olhava em volta enquanto continuava seu caminho, logo todos percebiam que se tratava de uma mulher. Ela possuía um belo chamativo, que era liso, extremamente branco, na altura dos ombros e atrás ela amarrava o excesso num coque. Algumas mechas chegavam a cobrir um pouco seu olho, ela logo retira da frente, podendo ver melhor seu rosto. Com olhos verdes brilhantes, que chegavam a ser hipnotizantes de tão lindos, em volta deles parecia ter algo similar a uma maquiagem preta borrada, o que dava a impressão dela não se importar em estar sempre bonita.

Sua pele era branca e seu rosto parecia ser comum europeu. Do lado esquerdo de seu rosto, passando pela bochecha até chegar a seu olho, a moça possuía uma cicatriz de corte. Aparentemente ela tinha um passado de lutas. Não era possível ver sua boca, pois ela utilizava uma máscara improvisada de pano no rosto.

Prestando atenção no resto do corpo, era possível notar que ela era magra e até mesmo atlética. Na região do tronco ela era vista utilizando uma camiseta com um tecido leve e suas mangas iam até metade do braço. Apesar de parecer justa, a mulher não demonstrava problemas com isso.

Em todo o seu braço direito havia algo que se assemelhava a uma braçadeira elástica de cor preta, que envolvia desde a base dos dedos até o final de seu braço, enquanto em seu ombro havia uma ombreira de metal. Por algum motivo aquilo não parecia pesar em seu corpo. Seu pulso tinha uma pulseira de metal firme e sua mão estava vestindo uma luva com peças metálicas na região dos dedos, que se dobravam da mesma maneira que a mão de uma pessoa. Já no outro braço, apenas haviam ataduras do braço e luva meio-dedo.

Na parte inferior, ela utilizava um short preto de poliamida que chegava até acima dos joelhos e lembrava os de academia, junto de uma saia roxa escura por cima, que era parecida com o de uma colegial, também indo até acima dos joelhos. Por fim, nas pernas, haviam joelheiras e ela utilizava botas que lembravam as militares, indo até metade das pernas.

Tudo isso dava um aspecto de guerreira espadachim para a moça, tanto que as pessoas que observavam em volta nem se atreveram a ir em direção a ela. A figura então chega no que parecia ser uma casa. Apesar de estar bem danificada, bate na porta e espera alguém atender enquanto olhava em volta, para garantir que ninguém a estava perseguindo.

Quando a porta se abriu, viu um rapaz que, por sua postura, roupas e jeito de falar, aparentava ser um gangster que dominava aquela região. Era branco, com um cabelo totalmente desarrumado e um olhar curioso, pois não estava esperando encontrar uma mulher na porta.

- Qual foi, dona? Perdeu o rumo de casa? – O rapaz na porta dizia na maior ignorância.

- Preciso de uma informação. – A moça dizia.

O rapaz olha um pouco para a mulher na porta. Mesmo que não fosse avantajada, ela tinha um volume bem aceitável em suas curvas. Ele fica cauteloso com relação a ela ter uma katana na cintura.

- Do que precisa? – Ele dizia com um sorriso bem suspeito. A moça então mostra um papel com alguns nomes riscados, o único que não estava era um que aparentemente era o nome do rapaz na porta. – Sim, sou eu.

- Sabe onde posso encontrar os Heróis? – A mulher dizia. O rapaz olha em volta para ver se não tinha ninguém tentando bisbilhotar.

- Entra, podemos negociar informações. – O homem dizia enquanto adentrava na casa. A moça faz o mesmo, com hesitação.

- O que você tem?

- Então, você quer informações, não é? Acho que podemos fazer um bom negócio. – O rapaz dizia com um olhar bem sugestivo e um sorriso, que para alguns poderia ser até repugnante.

- Passo. Faça outras propostas. – A moça dizia.

- Heheh... Ah minha cara, você não entendeu o que eu quis dizer. – Logo que o rapaz disse isso, outra pessoa fechou a porta da casa. Tratava-se de outro rapaz, que dessa vez tinha quatro braços ao invés de dois apenas, alto e parrudo.

A moça nem teve tempo de se virar para ver o que estava acontecendo, pois suas mãos foram pegas pelo que pareciam ser teias de aranha, só que muito maiores e mais rígidas, tanto que ela nem conseguia movê-las. O singular com poderes de aranha faz então um movimento com os braços, fazendo as mãos da mulher acabarem indo para as costas e se grudando nas teias. Ele então se aproxima dela e a segura, apenas para garantir que ela não fugisse.

Enquanto ela tentava se libertar, o outro rapaz então saca uma pistola e vai se aproximando da moça com um sorriso malicioso. Chegando perto o suficiente, ele pisa não muito forte na ponta dos pés dela e ainda retira a máscara de seu rosto com a arma, revelando-a. Tinha lábios de certa forma carnudos, e, mesmo que tivesse uma cicatriz de corte passando por sua boca, não tirava o fato de ser bem atraente.

- Se quiser informações vai ter que cooperar, então se me dá licença, eu vou me divertir um pouco. – O rapaz com a arma diz enquanto passava a arma por baixo da saia da mulher e aproximava seu rosto do dela.

A moça parecia abrir a boca para cooperar, porém, quando as bocas de ambos estavam para se encontrar, ela simplesmente mordeu o lábio inferior do rapaz sem remorso, até cortar sua pele e começar a sangrar. O homem gritou de dor e acabou recuando, o que só contribuiu para o ferimento piorar e fez a mulher libertar seus pés. Então, aproveitando-se disso, ela rapidamente o chuta para trás e cabeceia o homem que a segurava, desorientando-o e se libertando enfim.

O rapaz com a arma olha com uma raiva tremenda e grita enquanto apontava a pistola para a moça. Era possível ver que seu lábio inferior já estava com a parte mordida faltando.

- Sua vadia! – Ele então dispara na direção dela, porém a mulher se abaixa assim que viu a arma se levantando. Quem recebe o tiro no braço é o singular aranha, que acaba caindo no chão. Curiosamente o sangue dele era azul, como o de um aracnídeo comum.

A moça correu na direção de uma mesa, derrubou-a e se escondeu atrás dela, evitando levar mais tiros. O rapaz então começa a disparar sem parar na direção da mesa, nenhum projétil atinge a pessoa atrás dela.

Nisso, a mulher aproveita os estilhaços da mesa para cortar a teia e se libertar, ela então pega ângulo e dá um forte chute na mesa, fazendo com que o objeto vá na direção do homem com a arma e atinja suas pernas, desequilibrando-o. Aproveitando disso, a moça corre na direção dele e salta enquanto se preparava para sacar sua katana.

O rapaz, porém, mira nela mais rapidamente, e levaria alguns instantes até que a mão dela chegasse no cabo da espada. Na mente dele, a vitória estava garantida. Entretanto, o que ele não esperava era que a bainha da katana tinha um gatilho não por estética. A mulher aperta-o e então a espada é praticamente disparada na direção da mão dela, chegando muito mais rapidamente do que se sacasse normalmente.

A pistola então dispara um projétil. Por estar com a katana já em mãos, a moça, no instante em que sacou de vez a lâmina, cortou a bala em pleno ar. Não sendo o suficiente para surpreendê-lo, ela ainda aterrissa na mesa que estava de lado e rapidamente faz um corte horizontal que passa pelo indicador do rapaz, partindo-o ao meio e ainda jogando a pistola para longe. Para finalizar, a mulher ainda se impulsiona e dá uma joelhada no queixo dele, fazendo-o desmaiar.

Imaginando que as coisas estariam mais calmas agora, a moça foi surpreendida pelo singular aranha, que a agarrou com os quatro braços pelas costas. Não conseguindo se libertar, ela então crava sua espada na perna dele, o que o faz gritar de dor, girar e jogá-la na direção da parede. A mulher sente um pouco de dor nas costas, mas ainda conseguia se levantar. Viu o rapaz retirando a katana de sua perna e jogando-a para trás antes de vir com tudo para cima dela.

A moça desvia de um soco diretamente no rosto e tenta revidar com outro na mesma moeda, porém seu braço é segurado pelo outro do singular, que estava logo abaixo do que ele usou para socar. Ela então tenta outro soco com a outra mão, que dessa vez é segurada sem dificuldades. O rapaz a pressiona na parede e lança teias pelas mãos que prendem suas pernas na estrutura. Logo em seguida, sua boca começa a se abrir mais do que deveria e revela presas enormes de aranha nela, com um líquido viscoso. Ela não queria descobrir se era veneno ou não.

A mão dela, que estava fechada até então, abre-se e fica com a palma visível por algum motivo. A moça tentava afastar seu rosto o máximo que dava do singular aranha, que estava para já fincar suas presas nela, seria o fim.

Porém, ele não imaginava que aquela mulher também fosse uma singular. Só passou a entender quando a katana dela, que estava jogada longe deles, simplesmente atravessou sua lâmina na parte de trás de sua cabeça, parando poucos centímetros do rosto da moça, que agora estava com respingos de sangue azul em sua face.

Ela respirava um pouco enquanto o singular aranha caía para trás. Terminando de fincar a espada totalmente em sua cabeça ao bater no chão, deixando que o sangue azul de aracnídeo dele se esparramasse pelo chão.

Recuperando o fôlego, a moça então saca uma faca menor de seu short e usa para cortar as teias em seus pés. Liberta, ela retira a espada da cabeça e olha com uma expressão de desapontada para a situação.

- Porcaria, nada de novo. – Ela então faz um balanço em sua katana para retirar o excesso de sangue e depois limpa o que faltou em sua luva. Mas, antes de guardá-la, a moça ouve um barulho de vassoura caindo, e, ao olhar para a direção do barulho, vê um canto escuro com alguém.

Aproximando-se, ela percebe que a figura misteriosa na verdade não passava de um garoto se abraçando e olhando para a mulher com um olhar neutro. Acharia que ele estivesse morto, se não acabasse piscando. Ela repara que as roupas dele estavam totalmente rasgadas e o pequeno aparentava estar bem fraco. A moça aponta a katana para ele, para ver se reagia, mas, mesmo com a lâmina bem na sua frente, ele sequer demonstrava medo, não tinha vida em sua expressão.

Ela então levanta o queixo dele calmamente com a ponta da espada, podendo ver mais claramente seu rosto. Ele tinha cabelos loiros, compridos e, assim como seu corpo em geral, estava bem sujo. A singular então o faz abrir os braços, o que não foi difícil. Ele não estava segurando nada como uma bomba e não havia nada atrás dele.

Tendo todo o cuidado do mundo, ela se ajoelha na frente dele e segura a mão do garoto. Por um momento ela tem uma sensação estranha, ela conseguia sentir que o menino era um singular também, mas um que ela nunca tinha visto antes, não tinha certeza o que ele podia fazer, mas ela entendia que o poder dele era algo curioso e talvez bem único.

- Qual o seu nome? – Ela perguntava para o garoto sem expressão, que permaneceu assim por alguns instantes antes dele abrir a boca para responder.

- ... Ethan... Só... Ethan. – Ele diz com uma voz fraca.

- Ethan... – A moça então guarda sua espada na bainha e acaba oferecendo a mão para ele. – Meu nome é Mary.

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